Qual o objetivo do Yoga?

De acordo com o texto clássico fundamental do Sistema Filosófico do Yoga, Os Yogasutras de Patañjali na sua versão integral traduzida do sânscrito e comentadas por Carlos Eduardo G. Barbosa, na primeira edição, de abril de 1999:

“O Yoga é o nirodha das vrttis de citta”. (página 24)

Resumidamente:

Nirodha é o recolhimento, o ato de trazer para dentro algo que se espalhou do lado de fora.

Vrtti é aquilo que se espalhou “do lado de fora” e que precisa ser recolhido.

A entidade central, cujas expressões manifestadas, ou vrttis, estariam sendo recolhidas com a prática do Yoga, é designada pela palavra citta.

Citta, além de ser a origem e sustentáculo da vida mental humana consciente, é também descrito como um observador silencioso das ocorrências do mundo. Jamais se apresenta diretamente no mundo, senão por meio das vrttis e como uma presença “essencial” por trás da nossa própria presença pessoal.

“Citta projeta no mundo seus desdobramentos, as vrttis, e com elas dá origem à nossa existência individual e consciente. As vrttis, porém, animadas pela força projetiva que as originou, continuam a se dividir e espalhar pelo mundo com uma necessidade crescente de se associar aos objetivos diferenciados que encontram. Cada objeto que seja capaz de apresentar alguma característica que sugira a presença de citta atrai essas projeções com uma força irresistível e as vrttis buscam se apropriar desses objetos como se a própria existência dependesse disso. Daí se originam os desejos, que por uma deformação de orientação, afastam as vrttis de sua origem, em lugar de facilitar sua reintegração com citta.” (página 26)

“A prática do Yoga (um esforço de atrelamento ou integração) tem por objetivo justamente a reintegração das vrttis, ou seja, o seu recolhimento [nirodha] novamente em citta.” (páginas 26, 27)

Sendo assim:

A prática correta do Yoga produz em nossa mente o surgimento da inteligência corporal, e transforma a nossa vida material numa metáfora da própria criação e dos desígnios do Universo. Com isso se extingue a possibilidade do erro, da dor, e da impermanência nas atividades de nossa mente. A iluminação de nossa consciência pela realização do Yoga nos traz para perto de nossa fonte espiritual e nos faz sentir a perfeita integração com Deus, com a Humanidade e com todas as forças da Natureza.” (página 40)

As principais perturbações do processo proposto pelo Yoga são a falta de sabedoria, a ‘egoidade’ (asmita), o desejo, aversão e o apego à vida. O Yoga convida a se substituir uma relação impura com os objetos por uma relação imaculada, na qual o praticante procura identificar o princípio da individualidade espiritual (atman) nos objetos. Essa substituição é feita através da prática dos oito os componentes do Yoga:

  1. Yama (normas de convivência)
  2. Niyama (normas de aperfeiçoamento pessoal)
  3. Asana (posturas de assentamento)
  4. Pranayana (controle e direcionamento da vitalidade
  5. Pratyahara (recolhimento da atenção)
  6. Dharana (concentração da atenção em um conjunto determinado)
  7. Dhyanam (permanência no estado de concentração)
  8. Samadhi (absorção e elevação da consciência dentro do próprio processo de cognição

D Sendo assim:

Kaivalyam, ou INTEGRAÇÃO, é o objetivo final do Yoga.